segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Alguns Dados Biográficos
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais em 1902. Após estudos em sua terra natal e Belo Horizonte, foi interno no Colégio Anchieta, em Friburgo, em 1918. No ano seguinte, foi expulso devido a um incidente com o professor de português. Em Itabira, apesar de formado em farmácia, vivia das aulas de português e geografia. Tornou-se funcionário público em 1929, e, em 1934, o cargo no Ministério da Educação transferiu-o para o Rio de Janeiro. Em 1945, foi co-editor do jornal comunista Tribuna Popular a convite de Luís Carlos Prestes. A partir da década de 50, dedicou-se apenas à literatura, escrevendo novos livros de poesias e contos. Além de intensificar a produção de crônicas, fez também traduções. Carlos Drummond morreu no Rio de Janeiro em 1987.
Características Literárias
Carlos Drummond de Andrade é o primeiro grande poeta pós-movimento modernista e um dos mais importantes poetas brasileiros. Seu livro Alguma Poesia de 1930 marca o início da segunda fase poética do Modernismo.
Escreveu também prosa que se caracteriza pela riqueza e expressividade da linguagem e do tema, impregnados de senso de humor. Atribuem-se essas qualidades, igualmente, à sua obra poética. Segundo Bosi, Drummond possui uma percepção precisa do hiato entre as convenções e a realidade, entre o parecer e o ser das coisas e dos indivíduos, o que se transforma em objeto privilegiado do humor, seu traço principal. O conjunto de sua obra poética é complexo e vasto, do qual, pela freqüência, é possível destacar certas características e tendências.

Num primeiro momento, sem se deixar envolver, o poeta mantém um certo distanciamento do mundo à sua volta, o que lhe possibilita brincar e soltar a razão, deixando-a entregue a si mesma, maquinando incertezas e certezas, mais afeitas a negar e anular que a construir. Daí os temas do cotidiano, da família, do isolamento, da monotonia entendiante das coisas e do viver, expressos numa linguagem coloquial plena de ironia seca, sarcasmo e humor desencantado, onde sentimento e emoção são refreados. São deste primeiro momento os livros Alguma Poesia e Brejo das Almas.
No segundo momento, sem se distanciar, deixa-se envolver pela realidade à sua volta e canta a impotência e a solidão em um mundo mecânico, frio e político; a decepção e a falta de perspectiva diante da fragmentação causada pela guerra; o sofrimento e a solidariedade do ser humano brasileiro e universal. Temas estes abordados em tons ora esperançosos, ora desesperançosos, com a mesma ironia, humor e sobriedade, estão presentes nos livros Sentimento do Mundo, José e A Rosa do Povo.
Finalmente, o poeta busca o real, através de interrogações e negações que lhe revelam o vazio, o nada e o desencanto que sempre acompanham o homem. Da poesia metafísica de Claro Enigma, desse período, Drummond passa à poesia objectual de Lição de Coisas que, ao enfatizar a linguagem nominal e os aspectos visuais e sonoros, valoriza objetos e coisas, violando e desintegrando a palavra.
Obras de Carlos Drummond de Andrade
Poema de sete faces
Infância
Também já fui brasileiro
No meio do caminho
Poesia
Quadrilha
Sociedade
Aurora
Soneto da perdida esperança
Hino nacional
Em face dos últimos acontecimentos
Necrológio dos desiludidos do amor
Sentimento do mundo
Confidência do Itabirano
Congresso Internacional do Medo
Privilégio do mar
Inocentes do Leblon
Os ombros suportam o mundo
Mãos dadas
Mundo grande
A bruxa
José
A mão suja
Consideração do poema
Procura da poesia
Caso do vestido
Morte do leiteiro
Consolo na praia
Canção amiga
A ingaia ciência
Confissão
Memória
Amar
O enterrado vivo
Poema-orelha
A um bruxo, com amor
Fazenda
Destruição
Para sempre
O fim no começo
Parolagem da vida
Amor e seu tempo
Quero
Ainda que mal
O Deus de cada homem
Deus triste
Homem livre
Cuidado
Boitempo
Certas palavras
Le voyeur
A puta
A falta de Érico Veríssimo
Visão de Clarice Lispector
Retrato de uma cidade
Elegia carioca
A palavra mágica
Prece do brasileiro
Falta um disco
Atriz
Três presentes de fim de ano
Ausência
A sem-razões do amor
Aspiração
A hora do cansaço
Verdade
O seu santo nome
A Rosa do Povo
A Máquina do Mundo
Somem canivetes
Antepassado
A palavra
Certas palavras
Como encarar a morte
Deus e suas criaturas
Além da Terra, além do Céu
O amor antigo
Rio em flor de janeiro
A língua lambe
Mulher andando nua pela casa
À meia-noite pelo telefone
Amor, pois que é palavra essencial
Quarto em desordem
Campo de Flores
Canto Esponjoso
Le voyeur
Aula de português
O fim das coisas
Igual-desigual
Mortos que andam
Inscrição tumular
Lira do amor romântico
“A kiss, un baiser, un bacio”
Salário
Aparição amorosa
Sem que eu pedisse...
No corpo feminino...
Não quero ser o último a comer-te
Indagação
Para o sexo a expirar
Dificuldades do namoro
Receita de ano novo
Não passou
Poema que aconteceu
Poema do jornal
Poema da purificação
Mãos dadas
Diante das fotos de Evandro Teixeira
O que Alécio vê
A bomba
Ainda que mal
Amor
Amor - pos que é palavra essencial
O Amor bate na porta
Ao Amor antigo
Anedota Búlgara
Áporo
Às Mães
Atriz
Aula de português
Brinde no banquete das musas
Câmara viajante, A
Cantiga de viúvo
Canto ao homem do Povo - charles chaplin
Canto do Rio em Sol
Carne é triste depois da felação, A
Chão é Cama, O
Cota zero
Desaparecimento de Luísa Porto
Descoberta
Desejos
Diante das fotos de Evandro Teixeira
Dificuldades do namoro
Elegia 1938
Em teu crespo jardim
Entre o ser e as coisas
Estória de João-Joana, A
Excitante fila do feijão, A
Falta que ama, A
Entre o ser e as coisas
Falta um disco
Imortalidade
Instante
Língua girava no céu da boca, A
Língua lambe, A
Mãos Dadas
Máquina do mundo, A
Medo, O
Meia noite pelo telefone, À
Mulher andando nua pela casa
Não passou
Obrigado

domingo, 22 de agosto de 2010

O Populismo no Brasil


O populismo surge como forma de governo na Rússia para defender os russos do capitalismo e aparece na América Latina aliada aos capitalistas servindo de passaporte para a construção de ditaduras, como a getulista no brasil que perdurou 15 anos graças à grande identidade que a população teve com seu líder, que inteligentemente se apoderou desta ligação para construir seu governo. Percebe-se através desta pesquisa que o outro lado, os latifundiários e industriais tiveram muitas vantagens durante o período populista de Vargas, talvez aí, estaria a grande vantagem de Getúlio estar jogando por dois lados, criando vantagens e cedendo aos dois lados, os ricos e os pobres.
Ao entender como se dá o “populismo” pode-se compreender o porquê da busca de lideres por esta forma de governar, percebendo que não é um bom coração destes políticos que impera em uma administração publica populista, pelo contrario, muitas vezes este sistema chega ser perverso, autoritário e repressor.
Outro ponto a se buscar é o inicio do populismo no brasil, a ascensão de Getúlio Vargas, uma ditadura de quinze anos, a queda getulista, Vargas voltando ao poder nos braços do povo e o suicídio, os presidentes democratas populistas (Juscelino, Jango), e o golpe militar.
Para Tiago Dantas do site brasil Escola, “populismo é uma forma de governar baseada nas massas, onde o governante exerce uma influência muito grande sobre o povo e utiliza isso para obter apoio popular. O líder populista procura estabelecer laços emocionais com o povo, e não racionais”. É através destas afirmações que pode-se entender o que ocorreu no inicio do século XX, principalmente na América Latina, que foi invadida por uma onda de políticas populistas.

Este sistema de governo, se pode chamá-lo assim, por que estava embutido, ora em uma ditadura ora numa democracia, alguns estudiosos afirmam que acontece num momento de transição política e cultural, de acordo com Asensi (2006), “Em geral, acontece nos momentos de mudança de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial, de uma sociedade tradicional para uma sociedade moderna.”
A origem do populismo se deu na Rússia, onde buscava-se uma revolução, uma sociedade ideal, livre da modernização capitalista e com valores tipicamente agrários, onde o povo seria o centro das realizações políticas, enquanto o populismo que apareceu nos Estados Unidos era defendido por pequenos proprietários rurais e faziam críticas ao capitalismo, só que não buscavam transformações radicais na sociedade.
Pode-se perceber através desta pesquisa que o intuito inicial do populismo na Rússia, foi afetado e teve ao longo do século XX várias mutações. No brasil, foi bem aproveitado por Getúlio Vargas para permanecer no poder por uma década e meia, e mais tarde voltar ao poder, Vargas que contou com varias artimanhas políticas para dar vantagens a população trabalhadora e ao mesmo tempo criar benefícios aos empregadores.
Entendendo que o brasil, no período do governo de Vargas, deu um grande salto na sua industrialização, devido a queda da bolsa de Nova Iorque e ao II Guerra Mundial, muitos destes operários da industrias brasileiras eram estrangeiros e pessoas vinda do interior do país, que por falta de conhecer como se organizar, preferiu colocar suas esperanças nas mãos de um líder, que por sua vez, fez-se parecer confiável, criando leis que “ajudavam” os operários.

Ditadura Militar no Brasil

O golpe militar de 1964
A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.

Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.
No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.

Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.

O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.

A América Latina entre o Militarismo

Militarismo

Militarismo ou ideologia militarista é a idéia de que uma sociedade é mais bem servida (ou de maneira mais eficiente) quando governada ou guiada por conceitos incorporados na cultura, na doutrina ou no sistema militares. Militaristas sustentam que a segurança é a mais alta prioridade social, e alegam que o desenvolvimento e a manutenção do aparato militar assegura essa segurança. Militarismo denota a tendência a expandir a cultura e os ideais militares a áreas fora da estrutura militar – principalmente a negócios privados, política governamental, educação e divertimento.
O militarismo está arraigado na sociedade desde a mais remota antigüidade. Em todas as civilizações desde o início da história humana no planeta Terra, as atividades guerreiras e a guerra estão presentes.

Revolução burguesa e Napoleão Bonaparte

Modernamente, acredita-se que o militarismo assumiu o poder nacional pela primeira vez em 1799 com Napoleão Bonaparte na França. Desta forma, a revolução burguesa atingiu seu objetivo, isto é, a derrubada da monarquia absolutista, entregando o poder político aos militares para garantir os privilégios recém-conquistados. Houve a partir daí uma ruptura da índole mercenária dos exércitos. Estes acabaram por se transformar em instituições nacionais, onde a profissionalização dos militares trouxe a consolidação e a construção das nacionalidades, aprofundando e fortalecendo sua influência sobre as nações.

A revolução russa e a bipolarização

Depois da revolução russa de 1917, houve um substancial crescimento da importância do domínio das Forças Armadas sobre as nações. Além do aumento do poder do militarismo, ainda houve o início da influência ideológica sobre seus componentes. Entre a revolução russa e a segunda guerra mundial, a ideologia nas forças armadas iniciou uma importante escalada em rumo à bipolarização mundial.

Guerra fria

Finda a guerra, e aumentando a polarização ideológica, o mundo se dividiu em dois blocos. Iniciou assim a guerra fria por influência militar e ideológica dos Estados Unidos e da União Soviética.

O militarismo e as ditaduras militares

O militarismo e a escalada armamentista foram constantemente financiados e utilizados nos países do terceiro mundo, ou em desenvolvimento, em que as forças armadas nacionais se fortaleceram e ampliaram sua atuação interna com a justificativa de combater, ora o comunismo, ora o "imperialismo capitalista".
Ou seja, no século XX, o militarismo encontrou um terreno fértil política e ideologicamente tanto nos países socialistas como nas potências hegemônicas do sistema capitalista, para implantar ditaduras militares que se submeteram à influência e dominação de cada uma daquelas superpotências.
Os Estados Unidos da América estimularam os golpes militares na América Latina, que deu origem à Operação Condor, receosos de uma revolução comunista.[1] Na década de 80, com o fim da guerra fria, os regimes militares passaram pelo processo conhecido por redemocratização.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Ciência

      3.1 - Do medo à Ciência

      A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo assim podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência.

         a) O medo:
         Os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava outra alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam.

         b) O misticismo:
         Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do casamento do humano com o mágico.

         c) A ciência:
         Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.
         O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o significado de suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a seus descendentes.
         O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência.


      3.2 - A evolução da Ciência
      Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas áreas de matemática, geometria e na medicina, mas os gregos foram provavelmente os primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com atividade de utilização prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo = amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer amigo do saber) era buscar conhecer o porque e o para que de tudo o que se pudesse pensar.
      O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referencial para praticamente todas as idéias discutidas na época . A população não participava do saber, já que os documentos para consulta estavam presos nos mosteiros das ordens religiosas.
      Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre o séculos XV e XVI (anos 1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o prazer de pensar e produzir o conhecimento através das idéias. Neste período as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo. Neste período Michelangelo Buonarrote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Capela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do grego onde u = não + topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon, A Nova Atlântica; Voltaire, Micrômegas, caracterizando um pensamento não descritivo da realidade, mas criador de uma realidade ideal, do dever ser.
      No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma característica própria de pensamento, tendendo para um processo que tivesse imediata utilização prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs "a luz da razão sobre as trevas dos dogmas religiosos". O pensador René Descartes mostrou ser a razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase "penso, logo existo". No aspecto político o movimento Iluminista expressou-se pela necessidade do povo escolher seus governantes através de livre escolha da vontade popular. Lembremo-nos de que foi neste período que ocorreu a Revolução Francesa em 1789.
      O Método Científico surgiu como uma tentativa de organizar o pensamento para se chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se produzir o conhecimento. Este método entendia o conhecimento como resultado de experimentações contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico. Por outro lado, através de seu Discurso sobre o método, René Descartes defendeu o método dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição do conhecimento através da elaboração lógica de hipóteses e a busca de sua confirmação ou negação.
      A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por alguns historiadores, de "laicização da sociedade". Se a Igreja trazia até o fim da Idade Média a hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamento religioso razão de ser dos estudos científicos.
      No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma importância fundamental. Parecia que tudo só tinha explicação através da ciência. Como se o que não fosse científico não correspondesse a verdade. Se Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros, foram perseguidos pela Igreja, em função de suas idéias sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como referência de desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas. Na sociologia Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o Positivismo, vindo logo após outros pensadores; na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo-Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados pela religião, com a Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolução. A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais.


      3.3 - A neutralidade científica
      É sabido que, para se fazer uma análise desapaixonada de qualquer tema, é necessário que o pesquisador mantenha uma certa distância emocional do assunto abordado. Mas será isso possível? Seria possível um padre, ao analisar a evolução histórica da Igreja, manter-se afastado de sua própria história de vida? Ou ao contrário, um pesquisador ateu abordar um tema religioso sem um conseqüente envolvimento ideológico nos caminhos de sua pesquisa?
      Provavelmente a resposta seria não. Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados da pesquisa não sofram interferências além das esperadas. É preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua formação moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa não sejam influenciados por eles além do aceitável.
 

Eviências da Evolução Humana

       A grande variedade das evidências da evolução fornece ampla e rica informação dos processos naturais pelos quais toda a variedade de vida se desenvolveu.
       Fósseis são importantes para estimar quando as várias linhagens se desenvolveram. Como a fossilização é de rara ocorrência, normalmente requerendo as partes duras do corpo dos espécimes e da morte próxima a um local onde sedimentos estão sendo depositados, o registro fóssil somente fornece informações intermitentes sobre a evolução da vida. Evidências de organismos anteriores ao desenvolvimento de partes duras do corpo como conchas, ossos e dentes são especialmente raras, mas existem na forma de antigos microfósseis de alguns organismos de corpo mole.
       Comparações da seqüência genética de organismos revelou que os organismos que são filogenicamente mais próximos tem um grau maior de similaridades em sua seqüência genética do que organismos que estão mais filogenicamente distantes. Evidências adicionais da descendência em comum vem de “detritos” genéticos como os pseudogenes, regiões do DNA que são ortólogas à um gene em um organismo aparentado, mas não são mais ativos e aparentam passar por um constante processo de degeneração. Já que processos metabólicos não deixam fósseis, pesquisas evolutivas sobre os básicos processos biológicos são também feitas na sua maior parte com a comparação de organismos existentes. Muitas linhagens divergem em um diferente estágio de desenvolvimento, então é teoricamente possível determinar quando certos processos metabólicos surgiram realizando uma comparação dos traços de um descendente de um ancestral em comum.